sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Reflexão

Metamorfose

... Lembro-me de uma manhã em que eu havia descoberto um casulo na casca de uma árvore, no momento em que a borboleta rompia o casulo e sepreparava para sair. Esperei bastante tempo, mas estava demorando muito e eu estava com pressa. 
Irritada, curvei-me e comecei a esquentá-lo com meu hálito. Eu o esquentava , impaciente e o milagre começou a acontecer diante de mim, a um ritmo mais rápido que o natural. O casulo de abriu, a borboleta saiu se arrastando e nunca hei de esquecer  o horror que senti então: então suas asas ainda não estavam abertas e como todo o seu corpinho que tremia, ela se esforçava para desdobrá-las.
Curvando por cima dela, eu a ajudava como meu hálito, em vão. Era necessário uma paciente maturação, o desenrolar das asas devia ser feito lentamente ao Sol; agora era tarde demais. Meu sopro obrigara a borboleta a se mostrar toda amorrotada antes do tempo. Ela se agitou desesperada e alguns segundos depois,morreu napalma da minha mão.
Aquele pequeno cadáver é, eu acho, o peso maior que tenho na conciência. Pois, hoje, entendo bem isto: é um pecado mortal forçar as grandes leis. Temos que não nos apressar, não ficarmos impacientes, seguir com confiança e ritmo eterno.

Nikos Kazantzaki

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