segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Tradução da Musica


Desde de o dia que assisti o filme Como toda Estrela na Terra, toda Criança é Especial, fico a pensar, que musicas lindas, que tocam lá no fundo da alma, existem coisas que não falamos mais sentimos, pensando nisso estou postando a tradução da musica Maa, que significa Mãe ela é linda veja...


Mãe
Eu nunca te contei,
Como eu tenho medo do escuro
Eu também,nunca te contei
O quanto eu me importo contigo
Mas você sabe, não mãe?
Você sabe de tudo, minha mãe

Não me deixe sozinho na multidão
não encontrarei o caminho de casa
Não me mande para longe
para onde você não vai se lembrar de mim
Eu sou assim tão ruim mãe?
Sou tão ruim minha mãe

As vezes quando papai me lança
alto pelos ares
Meus olhos te procuram
Esperando que você venha me pegar em segurança

Não conte a ele
mas morro de medo
Eu não demonstro
Mas meu coração se afunda
Você sabe de tudo, não mãe?
você sabe de tudo minha mãe

Eu nunca te contei,
Como eu tenho medo do escuro
Eu também,nunca te contei
O quanto eu me importo contigo
Mas você sabe, não mãe?
Você sabe de tudo, minha mãe


domingo, 5 de setembro de 2010

74 Anos Dedicados ao estudo da Biologia e da Inteligência Humana





1896 - Piaget nasce no dia 9 de agosto, na cidade suíça de Neuchâtel, filho de Arthur Piaget, professor de literatura.

1907 - Com apenas 10 anos, publica na revista da Sociedade dos Amigos da Natureza de Neuchâtel escreve um artigo sobre um pardal branco. Torna-se assessor do Museu de História natural local.

1915 - Forma-se em Biologia pela Universidade de Neuchâtel. Desde o ginásio já esta interessado em Filosofia e Psicologia.

1918 - Torna-se doutor com ums tese sobre moluscos e muda para Zurique para estudar Psicologia, principalmente Psica-nálise.

1919 - Muda-se para a França e ingressa na Universidade de Paris. É convidado a trabalhar com testes de inteligência infantil.

1921 - A convite do psicólogo da educação Edouard Claparéde, um dos principais nomes  da Escola Nova, passa a fazer pesquisas no Instituto Jean Jacques Rousseau, em Genebra, destinado à formação de professores.

1923 - Lança o primeiro livro sobre suas pesquisas. A linguagem e o Pensamento da Criança.
1924 - Casa-se com uma de suas assistentes, Valentine Châtenay, com quem teve três filhos: Jacqueline (1925), Lucienne (1927) e Laurent (1931).

1925 - Começa a lecionar Psicologia, História da Ciência e Sociologia em Neuchâtel.

1929 - Passa a ensinar História do Pensamento Ciêntifico, em Genebra, e assume o gabinete Internacional da Educação, dedicado aos estudos pedagógicos.

Anos 30 - Escreve vários trabalhos sobre as primeiras fases  do desenvolvimento, muitos deles inspirados na observação dos três filhos.

1940 - Com a morte de Claparéde, torna-se su sucessor como professor e diretor do Laboratório de Psicologia.

1941 - Publica trabalhos  sobre formação dos conceitos matemáticos e físicos, com as pesquisadoras Barbel Inhelder e Alina Szeminska.

1946 - Participa da elaboração da constituição da Unesco, orgão das nações unidas para a educação, Ciência e Cultura. Torna-se membro do conselho executivo e é várias vezes Subdiretor Geral, responsável pelo Departamento da Educação.

1950 - Publica Introdução à Epistemologia Genética, a primeira síntese de sua teoria do conhecimento.
1952 - É convidado a lecionar na Universidade de Sarbonne em Paris, sucedendo ao filósofo  Merleau Ponty.

1955 - Funda o Centro Internacional de Epistemologia Genética, em Genebra, destinado a realizar pesquisas indiciplinares sobre a formação da inteligência.

1967 - Escreve Biologia do Conhecimento, a principal obra da sua maturidade.

1980 - Morre em Genebra no dia 16 de setembro.









sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Construtivismo 
Uma pràtica baseada em jogos pequisas e trabalhos em grupos




Piaget sempre bateuduro na escola tradicional e defendeu práticas baseadas em jogos, pesquisas e trabalhos em grupo. Veja o que ele escreveu.

Miniadultos

" A educação tradicional sempre tratou a criança como um pequeno adulto, um ser que raciocina e pensa como nós, mais desprovido simplismente de conhecimentos e de experiência. Sendo a criança, assim, apenas um adulto ignorante. A tarefa do educador não era tanto a de formar o pensamento, mais sim de equipa-lo".


O Rei da Classe

"  A escola tradicional não conhece outro relacionamento social além daquele que liga um professor, espécie de soberano detentor da verdade intelectual e moral, a cada aluno considerado individualmente"

O Bom Ensino

" A escola ativa pressupõe, ao contrário uma comunidade de trabalho com alternância entre o trabalho individual e o trabalho em grupo"


O Aluno Ativo

" O professor deve conferir especial relevo à pesquisa espontânea da criança ou do adolecente . Toda verdade a ser adquirida deve ser reiventada pelo aluno, ou pelo menos reconstruída, e não simplismente transmitida".


Mestre-Companheiro

" O que se deseja é que o professor deixe de ser apenas um conferencista e que estimule a pesquisa e o esforço, ao invés de se contentar com a transmissão de soluções já prontas".

Tirania Intelectual

" Na realidade, a educação constitui um todo indissociável. Não se pode formar personalidades autônomas no dominio moral se o individuo é submetido a um constrangimento intelectual de tal ordem que tenha de se limitar a aprender por imposição, sem descobrir por si mesmo a verdade: se é passivo intelectualmente, não conseguirá ser livre moralmente".

Papel Insubstituivél

" É evidente que o educador continua indispensável, atitulo de animador para criar situações e armar os dispositivos iniciais capazes de suscitar problemas úteis á criança. E para organizar, em seguida, contra- exemplos que levem a reflexão e o obriguem ao controle das soluções apressadas"

Honra ao Mérito

" Vamos nos limitar, como exemplo de que pode ser feito com os modestos meios e sem nenhum incentivo particular por parte dos mistérios responsáveis, a lembrar a notável obra realizada pelo educador francês Celestin Freinet".

Proxima postagem.... 74 de Piaget dedicados ao estudo da Biologia e da inteligência humana

Informativo para o Professor.

 Jean Piaget
O filósofo suíço que revolucionou a pedagogia do século XX.



O impacto talvez mais forte recebido pela escola básica neste século não partiu de um educador. Foi obra de um psicólogo, o suíço Jean Piaget. O centenário de seu nascimento foi celebrado em 1996 com vários eventos ciêntificos mundo afora. Piaget dedicou  a estudar as engrenagens da inteligência, do nascimento à maturidade do ser humano. Decifrou sucessivos degraus na evolução do raciocínio. Não empregou as descobertas para propor novos métodos de ensino, mas batalhou pela educação e não fugiu de tomar partido em disputas pedagógicas.

Suas pesquisas tiveram efeitos profundos no progresso da educação. Já nos anos 20, deram aval teórico a pedagogos inovadores, entre eles o francês Célestin Freinet. Hoje, sua obra continua viva. É a matriz do construtivismo, linha educativa em rápida expansão no Brasil.



Considerações gerais sobre Jean Piaget



Jean Piaget foi um daqueles meninos que os professores de hoje identificariam como super dotado. Ou que os colegas de classe chamariam de CDF. Precoce, com apenas 10 anos publicou em Neuchâtel, sua cidade natal, na Suíça, um artigo como estudos sobre um pardal branco. Aos 22, já era doutor em Biologia. Intelectualmente insaciável, escreveria cerca de setenta livros e 300 artigos sobre Psicologia, Pedagogia e Filosofia.

O próprio lar de Piaget foi uma espécie de extensão da universidade. Casou-se com uma assistente e desvendou muitos dos enigmas da inteligência infantil dentro de casa, observando os próprios filhos. Concluiu que a criança tem forma própria e ativa de raciocinar e de aprender, que evolui por estágios, até a maturidade intelectual. Não é um adulto em miniatura. Seus erros apenas caracterizam essa forma particular de pensar.

A celebridade de Piaget e sua importância para a educação vêm exatamente desses estudos. Já nos anos 20, pedagogias inovadoras entraram em sua obra a sustentação cientifica que lhes faltava." Destacando o papel ativo da criança no aprendizado, seus trabalhos geram os educadores da Escola Nova". A Escola Nova era um movimento de educadores europeus e norte -americanos que contestava a passividade a que a criança estava condenada pela escola tradicional. " Piaget defendeu principalmente a Escola Ativa". A Escola Ativa era uma uma corrente da Escola Nova, à qual se alinhava, por exemplo, o pedagogo Célestin Freinet.

" Foi só em 1936, que Píaget chegou ao meio educacional brasileiro, com o texto O trabalho por Equipes nas Escolas: Bases Psicológicas, traduzido pelo professor Paulista Luiz Fleury".

Foi preciso quase meio século, contudo para que a influência se fizesse sentir mais amplamente no ensino básico brasileiro- e de maneira nem sempre percebida com clareza. É que as ideias de Piaget vêm entretanto na nossas escolas sob o nome de construtivismo. E muita gente associa o termo apenas á psicóloga argentina Emília Ferreiro, a grande divulgadora dessa linha educacional no Brasil desde os anos 80. Acontece que Emília Ferreiro é Piaget puro. Por isso, falar em construtivismo é falar principalmente em Piaget.


Afinal o que é constutivismo?

Construtivismo não é apenas o termo pelo qual é conhecida a linha pedagógica que mais vem ganhando adeptos entre professores do primeiro grau. Possui outro significado, mais antigo e mais amplo, que ultrapassa as fronteiras do universo escolar. É sobretudo, o nome de uma das três grandes correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligencia humana de desenvolve. As outras duas são o empirismo e o racionalismo. Por ser o nome do sistema ao qual se filia Piaget, a palavra construtivismo passou a designar também a linha pedagógica inspirada em sua obra.

Essas três escolas divergem quanto á relação entre meio ambiente e inteligência." As teorias empiristas e racionalistas são chamadas de reducionalistas por que reduzem o desenvolvimento intelectual só a ação do individuo ou só à força do meio". É a pessoa que contrói o seu próprio conhecimento.

Além de Piaget, outros estudiosos importantes para a educação, como o russo Lev Vygotsky e o francês Wallon, também são considerados construtivistas.


Empirismo

Concepção teórica que parte do principio de que a desenvolvimento da inteligência é determinado pelo o meio ambiente e não pelo sujeito. Portanto, de fora para dentro. A ideia é que o ser humano não nasce inteligente, mas é passivamente submetido às forças do meio, que provocam suas reações. As reações satisfatórias são incorporadas e as insatisfatórias tendem a ser eliminadas. Assim, o desenvolvimento intelectual pode ser totalmente modelado de fora, pois a força que o determina se encontra nos estímulos externos não no indivíduo.


Racionalismo

Concepção teórica que parte do principio de que o desenvolvimento da inteligencia é determinado pelo individuo e não pelo meio. Portanto, de dentro para fora. A ideia é que o ser humano já nasce com a inteligencia pré-moldada. A lógica, por exemplo, seria uma capacidade inata do homem. À medida que o ser humano amadurece, ele vai reorganizando sua inteligencia pelas percepções que tem da realidade. Essas percepções dependem de capacidades que são inerentes ao individuo e não estímulos externos.

Construtivismo


Concepção teórica que parte do principio de que o desenvolvimento da inteligencia é determinado pelas açãoes mútuas entre o individuo e o meio. A idéia é que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio. Ao contrário, reponde aos estimulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu conhecimento, de forma cada vez mais elaborada.



Os estágios de desenvolvimento da inteligência


Para o biólogo que Piaget nunca deixou de ser, " a vida é, em essência, auto regulação" Ele incluía aí vida mental, pois achava que é para manter um equilibrio dinâmico que desenvolvemos a inteligência. Quando o equilibrio se rompe, o individuo age sobre o que afetou ( seja um som, uma imagem ou uma informação ) buscando se reequilibrar." Para Piaget, isso é feito por adaptação e por organização".

A adaptação tem duas formas básicas : a assimilação e a acomodação. Na assilação, o indivíduo usa as estruturas psiquicas que já possui. Se elas não saõ suficientes, é preciso construir novas estruturas. Isso é acomodação. Piaget diz que na assimilação e na acomodação se pode reconhecer a correspondência prática daquilo que serão mais tarde a dedução e a experiência: a atividade da mente e apressão da realidade".

Já a Organização articula esses processos com as estruturas existentes e reorganiza todo o conjunto. Assim, o individuo constrói e reconstrói continuamente as estruturas que o tornam cada vez mais apto ao equilibrio. Mas essas construções seguem um padrão, em idaes mais ou menos determinadas. São os estágios, que se dividem em vários sub-estágios, com formas específicas de inteligência.



A evolução do raciocínio

Estágio sensório motor ( 0 a 2 anos ). A partir de reflexos neurológicos básicos o bebê começa a construir esquemas de açãopara assimilar mentalmente o meio. A inteligencia é pratica. As noções de espaçao e tempo, por exemplo, ao construídas pela ação. Ocontato com o meio direto e imediato, sem representação ou pensamento.
Estágio pré-operacional ( 2 a 7 anos ). A criança se torna capaz de representar mentalmente pessoas e situações. Já pode agir pôr simulação, "como se" . Sua percepção é global, sem discrinar detalhes. Deixa se levar pela aparência, sem relacionar aspectos. É centrada em si mesma, pois não consegue colocar-se abstratamente no lugar do outro.
Estágio operacional concreto ( 7 a 11 anos ). Nessa fase, a criança já é capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da  realidade. Não se limita a uma representação imediata, mas depende do mundo concreto para chegar a abstração. Desenvolve também a capacidade de refazer um trajeto mental, voltando ao ponto inicialde uma situação.
Estágio lógico-formal ( 12 anos em diante) A representação agora permite abstração total. Acriança agora permite à representação imediata nem somente ás relações previamente existentes, mas é capaz de pensar em todas as relações possíveis logicamente.

Na próxima postagem... Construtivismo uma prática em jogos pesquisas e trabalhos em grupo. Jean Piaget 74 anos dedicados ao estudo da Biologia e da inteligência humana.

Reflexão

Metamorfose

... Lembro-me de uma manhã em que eu havia descoberto um casulo na casca de uma árvore, no momento em que a borboleta rompia o casulo e sepreparava para sair. Esperei bastante tempo, mas estava demorando muito e eu estava com pressa. 
Irritada, curvei-me e comecei a esquentá-lo com meu hálito. Eu o esquentava , impaciente e o milagre começou a acontecer diante de mim, a um ritmo mais rápido que o natural. O casulo de abriu, a borboleta saiu se arrastando e nunca hei de esquecer  o horror que senti então: então suas asas ainda não estavam abertas e como todo o seu corpinho que tremia, ela se esforçava para desdobrá-las.
Curvando por cima dela, eu a ajudava como meu hálito, em vão. Era necessário uma paciente maturação, o desenrolar das asas devia ser feito lentamente ao Sol; agora era tarde demais. Meu sopro obrigara a borboleta a se mostrar toda amorrotada antes do tempo. Ela se agitou desesperada e alguns segundos depois,morreu napalma da minha mão.
Aquele pequeno cadáver é, eu acho, o peso maior que tenho na conciência. Pois, hoje, entendo bem isto: é um pecado mortal forçar as grandes leis. Temos que não nos apressar, não ficarmos impacientes, seguir com confiança e ritmo eterno.

Nikos Kazantzaki

Ensinar

" Ensinar é mais dificil do que aprender, por que significa deixar de aprender. Cada coisa tem seu tempo certo, não florescem no inverno os arvoredos, nem pela primavera têm brancos fios nos campos.
Oprincipal objetivo da educação é criar homens que  sejam capazes de fazer coisas novas e não simplismente repetir o que as outras gerações fizeram - homens que sejam criadores, inventivos e descobridores.
Criar é tão dificil ou tão fácil como viver. E é do mesmo modo necessário. É preciso ter bom senso e não aceitar o mundo como ele é, e sim construir um mundo novo.
Criando, corremos o risco de termos o real"
Como disse Henfil:
" Se não houver frutos, valeu a beleza das flores,
  se não houver flores, valeu a sombra das folhas,
  se não houver folhas, valeu a intenção das sementes"

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

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“Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial” (Taare Zameen Par – Every Child is Special)




Essa é a primeira vez que assisto um filme indiano, todo professor deve assistir, com certeza ele  deixou marcas em mim...  frisou bem o modo como a arte e a educação são importantes ferramentas de estímulo ao desenvolvimento de uma pessoa quando aplicadas intencionalmente para a sua felicidade, independente do problema ou desvio que tiver.
taare-zameen-par-cd



Taare Zameen Par – filme da produção de Bollywood - conta a história de uma criança que sofre com dislexia e custa a ser compreendida. Ishaan Awasthi, de 9 anos, já repetiu uma vez o terceiro período (no sistema educacional indiano) e corre o risco de repetir de novo. As letras dançam em sua frente, como diz, e não consegue acompanhar as aulas nem focar sua atenção. Seu pai acredita apenas na hipótese de falta de disciplina e trata Ishaan com muita rudez e falta de sensibilidade. Após serem chamados na escola para falar com a diretora, o pai do garoto decide levá-lo a um internato, sem que a mãe possa dar opinião alguma. Tal atitude só faz regredir em Ishaan a vontade de aprender e de ser uma criança. Ele visivelmente entra em depressão, sentindo falta da mãe, do irmão mais velho, da vida… e a filosofia do internato é a de “disciplinar cavalos selvagens”. Inesperadamente, um professor substituto de artes entra em cena e tão logo percebe que algo de errado estava pairando sobre Ishaan. Não demorou para que o diagnóstico de dislexia ficasse claro para ele, o que o leva a por em prática um ambicioso plano de resgatar aquele garoto que havia perdido sua réstia de luz e vontade de viver. O filme é uma obra prima do até então ator e produtor Aamir Khan, já macaco velho nas bandas de Bollywood. Pela primeira vez, após a atuação em sucessivos filmes que lhe deram a fama em anos recentes, Khan quis arriscar-se como diretor e impressionou pela qualidade e sensibilidade neste filme. Ele não só dirige TZP, como produz, com sua Aamir Khan Productions, e também atua no papel do professor substituto. Ishaan Awasthi é interpretado pelo estreante Darsheel Safary, que também surpreendeu pela qualidade de sua atuação. Merecidamente, Safary ganhou o prêmio de melhor ator pela crítica, no mesmo Filmfare Awards deste ano de 2008. Virou celebridade. Além dos prêmios de melhor filme e melhor ator pela crítica, TZP ganhou também o prêmio de melhor direção, para Aamir Khan, e de melhor letra de música. O filme, embora não tenha as exóticas cenas de dança, tem músicas que aparecem como clipes, com imagens que não só ilustram a melodia, mas também fazem parte do decorrer da história. Dentre as músicas (muito boas, por sinal), Maa, que significa “mãe” em hindi, recebeu o prêmio de melhor letra.

Taare Zameen Par – Every Child is Special“, o que significa, exatamente, “Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial“. Embora o filme fale diretamente sobre o caso de uma criança, ele é uma mensagem para o mundo sobre o verdadeiro papel de um educador e formação de um novo ser humano – veja que não digo professor, mas educador. Ao afirmar no título que toda e qualquer criança é especial, que são como estrelas na Terra, a proposta é trazer a idéia de que não podemos negligenciar a diversidade e preciosidade dos projetos de gente de nosso mundo, pois são eles que fazem o futuro.
O filme vai muito além de tocar na sensibilidade de ser criança e educador; ele manda uma mensagem de nosso papel como ser humano – o que na Índia não é tarefa fácil. Aliás, poucos são os próprios indianos que realmente reconhecem o valor desse filme, muito poucos.
Em muitos momentos, Aamir Khan optou por utilizar recursos caricatos para os personagens do filme, sobretudo em relação aos professores de ambas as escolas por que Ishaan passa. Ainda que personagens caricatos possam trazer um grau de irrealidade para a trama, em Taare Zameen Par a caricatura contribui para aumentar a sensação de sofrimento, opressão e incompreensão vivido pelo garoto disléxico. No conjunto, caricaturas e clipes de música ilustram uma ficção que de irreal nada tem; qualquer semelhança entre a ficção e a vida real é mera coincidência, diz, antes do filme começar. Mas o próprio professor Ram Shankar Nikumbh (interpretado por Aamir Khan) lembra às crianças que Einstein, Agatha Christie, Da Vinci e Tomas Edison eram disléxicos e sofreram na infância – TZP é história da vida real. Antes fosse apenas ficção.
Em Taare Zameen Par  não há as típicas cenas de dança dos filmes de Bollywood; as músicas aparecem como clipes, mostrando cenas que complementam a história que está sendo contada naquele momento, porém sem diálogos. A primeira a aparecer, por exemplo, mostra a rotina da casa de Ishaan. Num outro momento, Ishaan sai pra rua e anda pela cidade (Mumbai), reparando em detalhes não usuais para uma simples criança de sua idade. Neste momento toca a música Mera Jahan, que, literalmente, significa Meu Mundo. É o que Ishaan vê e reconhece como fazendo parte integrante. Ao voltar pra casa ele elabora o que viu fazendo um desenho – a criatividade artísticas em disléxicos tende a ser mais aflorada, pela sua maneira distinta com que o mundo é compreendido. A música que ficou mais famosa, porém, foi Maa, que significa Mãe, como já disse anteriormente. Quando passa essa música, Ishaan acaba de chegar no internato e sofre demais – sua mãe também. Postarei este clipe pra vocês.
Numa outra música, com o título que dá nome ao filme, vemos o professor Ram Nikumbh em seu emprego na escola pra crianças especiais e depois partindo para a casa de Ishaan, onde irá conversar com seus pais. A música é longa e tão longo é todo esse momento, mas nem percebe-se a música tocar, dada a imensidão de informações passando. Porém, o detalhe mais importante desta passagem está no que faz Ram no caminho até a casa de Ishaan, que não vi indiano nenhum fazendo e nem sequer parando para refletir sobre. No ônibus, o professor ajuda uma mãe com seu bebê; depois, na beira da estrada, paga um chá com biscoitos à criança-empregada do estabelecimento. Em outro momento, andando ao lado da feira, pega a couve-flor que cai no chão. Coisas simples, mas indianos não costumam fazer coisas simples. Simples ajudas, mas indianos não costumam ajudar.
Taare Zameen Par vem também cumprir um importante papel na sociedade indiana. Não se trata de civilizar ou ocidentalizar, mas de trazer um pouco mais de humanidade para o coração hindustani, um pouco mais do senso de individuação, que de nada tem a ver com individualização. Talvez ainda além de mandar uma mensagem sobre o papel do educador, este filme ensina antes o que é ser pai, o que significa e o que implica em ter um filho. Ram Nikumbh, contestando o que o pai de Ishaan disse a ele em certo momento, deixa bem claro o que significa a palavra “cuidar”. E neste momento sublime, alerta para que não aconteça com Ishaan o que acontece com as árvores das Ilhas Salomão, que morrem após as pessoas ficarem gritando à sua volta. Aamir Khan fez uma obra-prima – e talvez a última também. Será difícil que ele faça um filme tão bom como esse de novo.
Texto extraído e adaptado do blog
 
Veja o trailer do filme:

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Relatório do Dia

Gente estou aqui postando para dizer da importancia do registro na escola, geralmente o professor faz o registro dos seu alunos em sala de aula e fica com ele, a coordenação e a diretoria acaba ficando despercebida de muitos fatos, quando chega ao conhecimento do coordenador ou o diretor da escola a coisa já ta feia, pois é pensando nisso é que fiz esta ficha de relatório.

Relatório do Dia
Data:

Turma ou série:
Total de alunos:
Total de Faltas:
Atividades do dia:
Atividades no Pátio:
Ocorrências:

Todos os dias esta ficha é entregue na secretária da escola, e é guardanda em pastas separadas salas por salas, assim todos dentro do âmbito escolar toma parte do problema e tem o conhecimento do que está ocorrendo relamente nas escolas, também é uma forma de conhecer mais os alunos e sua difilculdades.

Até a próxima postagem.










terça-feira, 13 de julho de 2010

Vale a pena ler !!!


Rubem Alves conta como se apaixonou pela escola da ponte, em Portugal, um lugar único, onde alunos e professores convivem como amigos na fascinante experiência da descoberta. o escritor e educador - que estará no VII Congresso e feira de Educação Saber 2003 - fala sobre esse arrebatamento, num texto especial para educação

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Vou contar um caso de amor. Amor à primeira vista. Eu me apaixonei pela escola da ponte. Bastou vê-la para que um passado reverberasse dentro de mim não tenho memórias dolorosas do grupo escolar. As coisas a serem aprendidas eram fáceis e eu as aprendia sem esforço. Mas minha efervescência intelectual - pois as crianças também têm efervescências intelectuais - estava em outro lugar: no mundo que começava quando eu saía da escola.
Eu me levantava às 5h e me punha a andar pela casa fazendo barulho. Queria que os adultos dorminhocos despertassem do seu sono para o mundo maravilhoso que aparecia com a luz do dia. Minha curiosidade me levou a desmontar o relógio de pulso de minha mãe, o único que ela tinha. Queria saber como ele funcionava, aquela engrenagem fascinante. Infelizmente, não consegui montá-lo de novo.
No grupo escolar, nos ensinavam o que o programa mandava: o nome de serras, serra da Mata da Corda, do Espinhaço, da Bocaina; o nome de afluentes de rios distantes, dos quais a única coisa que aprendíamos eram... os nomes. O que me foi útil no exame de admissão, porque me perguntaram o nome da segunda maior ilha fluvial do mundo. Tupinambarana. Eu sabia o nome. Mas ainda hoje, nada sei sobre a ilha.
Era tempo da segunda guerra mundial. As batalhas entravam em nossa casa pelo rádio. "E Stalingrado continua a resistir." "Aviões aliados martelaram as posições nazistas no Vale do pó." meu pai afixou um mapa da Europa na parede e nele íamos seguindo os movimentos das tropas. A imaginação corria rapidamente e eu me sentia como um soldado na frente de batalha. O mapa, os países, o nome das cidades, dos rios, das montanhas - tudo estava vivo para mim.
Conto essas coisas da minha vida de menino para dizer que as crianças são curiosas naturalmente e têm o desejo de aprender. O seu interesse natural desaparece quando, nas escolas, a sua curiosidade é sufocada pelos programas impostos pela burocracia governamental. Pela minha vida tenho estado à procura da escola que daria asas à curiosidade do menino que fui. Pois, de repente, sem que eu esperasse, eu me encontrei com a escola dos meus sonhos. E me apaixonei.

Novas Formas de ver


Tudo começou em 2000, via internet. Um desconhecido de Portugal, Ademar Ferreira dos santos. Uma brasileira lhe havia dado um livrinho meu, Estórias de Quem Gosta de Ensinar. Ele gostou. Sem nos conhecermos pessoalmente, nos descobrimos amigos. Ele me convidou para ir a Portugal e falar aos professores da universidade de Braga e adolescentes de uma escola secundária.
Fui e fiz. Foi bom. Aí, numa manha, ele me disse: "vou levar-te a conhecer uma escola diferente.""Diferente como?", perguntei. "Não é possível dizer-te. tu verás." chegamos à escola. Na sua frente havia um pátio arborizado. Lá estava o diretor, professor José Pacheco. Mais tarde, aprendi que ele se recusa a ser chamado de diretor, por razões que explicarei mais tarde.
Minha expectativa era que o diretor, por um mínimo dever de cortesia, haveria de levar-me a conhecer a escola. Homem de poucas palavras, trocamos meia dúzia de banalidades. Vinha passando à nossa frente uma menina de uns 9 anos. Ele a chamou e disse: "Tu podes mostrar e explicar a nossa escola ao nosso visitante?" "Pois, pois", respondeu a menina, sem mostrar nenhuma surpresa. Ato contínuo, ele me abandonou e fiquei eu à mercê da menina.

Os primeiros sustos


Eu nunca tinha tido experiência que um diretor entregasse a uma aluna, menina de 9 anos, a tarefa de mostrar e explicar a sua escola a um educador estrangeiro.
A menina não se fez de rogada. Encaminhou-se resolutamente na direção da porta da escola e eu, obedientemente, a segui. Chegando à porta, ela parou, voltou-se para mim e disse em voz resoluta e confiante: "para entender a nossa escola, o senhor terá de se esquecer de tudo o que o senhor sabe sobre escolas. Não temos turmas, não temos alunos separados por classes, nossos professores não dão aulas com giz e lousa, não temos campainhas separando o tempo, não temos provas e notas."
Foi o segundo susto. As palavras da menina produziram um vazio na minha cabeça. Porque as escolas que conheço, mesmo as mais experimentais e avançadas, têm professores dando aulas, têm turmas, têm salas de aula que separam as crianças, têm provas e testes, têm notas e boletins para o controle dos pais.

Professores aprendizes


Perguntei: "E como é que vocês aprendem ?” “Ela me respondeu: “Formamos um pequeno grupo de seis pessoas em torno de um tema de interesse comum. Convidamos um professor para ser nosso assessor. Ele nos ajuda com informações bibliográficas e de internet. Estabelecemos, de comum acordo, um programa de trabalho de duas semanas. Durante esse tempo, lemos e pesquisamos. Ao cabo de duas semanas, nos reunimos para avaliar o que aprendemos e o que deixamos de aprender.”
"Percebi logo que naquela escola não podia haver livros-texto. Livros-texto são onde se encontram os saberes que, por escolha e determinação de uma instância burocrática superior, devem ser aprendidos pelos alunos. O conjunto desses saberes se denomina "programa". Mas acontece que a curiosidade não segue os caminhos determinados pela burocracia.
Sem livros-texto, as crianças têm de aprender a procurar os saberes necessários à compreensão do "tema de interesse comum". E os professores deixam de ser aqueles que sabem os saberes prescritos pelos programas. Eles se encontram permanentemente em suspenso ante o inesperado dos interesses das crianças. Os professores não são aqueles que sabem os saberes. São aqueles que sabem encontrar caminhos para os saberes. de qualquer forma, os saberes já se encontram em livros, bibliotecas, enciclopédias, internet. Acresce-se a isso o fato de que, hoje, os saberes se tornam rapidamente obsoletos.
Se os alunos tiverem os mapas e souberem encontrar o caminho, eles terão sempre condições de descobrir o que sua curiosidade pede. E os professores, por não saberem de antemão o que as crianças querem saber, têm de se tornar aprendizes junto às crianças. O tal "programa de trabalho de duas semanas", de que falou a menina, era para os professores também. Eles ensinam o aprender aprendendo junto. O que é muito mais divertido do que ficar, todos os anos, repetindo os mesmos saberes imobilizados pelos programas. Ficar a repetir o que se sabe, ano após ano, é, sem dúvida, uma prática emburrecedora.

Dentro da escola


Andamos um pouco e a menina abriu a porta da escola. Era uma grande sala, com muitas mesinhas, crianças pequenas, crianças grandes, algumas com síndrome de Down, todas juntas no mesmo espaço. Cada uma fazendo a sua coisa. Estantes com livros. Vários computadores. Algumas crianças lendo ou escrevendo. Outras consultando livros e a internet. Algumas professoras assentadas às mesinhas junto das crianças. Ninguém falava alto. Só sussurros. E ouvia-se, baixinho, música clássica.
Numa parede, em letras grandes, estavam várias frases relativas ao descobrimento do Brasil. Era o ano em que se comemoravam os cinco séculos da descoberta. "Que são essas frases?", perguntei. "Os miúdos [crianças] estão a aprender a ler. aqui não aprendemos nem letras, nem sílabas. Só aprendemos totalidades. Mas temos de aprender a ordem alfabética para consultar o dicionário." Outro susto: aprender a consultar o dicionário tão cedo?

Mistérios do dicionário


Ao nosso lado havia uma delas consultava um dicionário. Ajoelhei-me ao seu lado, para que nossos olhos estivessem no mesmo nível, e perguntei: "Tu estás a consultar o dicionário?" "Sim", ela me respondeu. "Procuras uma palavra que não conheces?" "Não, conheço a palavra." Eu não entendi e perguntei de novo: "Mas se conheces a palavra por que a procuras no dicionário?" Aí ela me deu uma resposta que me produziu outro susto. "É que estou a produzir um texto para os miúdos e usei uma palavra que, creio, eles não conhecem. Estou, assim, a preparar um pequeno dicionário que colocarei ao pé da página do meu texto para que entendam o que escrevi, posto que ainda não podem consultar o dicionário por não haverem ainda aprendido a ordem alfabética."
Fiquei assombrado. Aquela menina tinha clara consciência dos limites dos conhecimentos dos "miúdos". ela escrevia pensando neles. Naquela idade, já era uma educadora.

Os quadros de ajuda


Para que aquela menina estivesse escrevendo um texto para as crianças era preciso que não houvesse paredes separando-a dos "miúdos", que eles ocupassem o mesmo espaço e existisse entre eles relações de comunicação, confiança e responsabilidade. O texto que ela escrevia não fora um "dever" que a professora lhe passara. Ela o escrevia a pedido dos alunos mais novos.
Essa rede livre de comunicação, responsabilidade e ajuda estava silenciosamente exibida em dois quadros afixados na parede. Num deles estava escrito preciso que me ajudem em, no outro, posso ajudar em. Qualquer aluno que esteja com um problema, antes de procurar a professora, escreve o seu pedido no primeiro quadro: "Preciso que me ajudem em regra de três", e assina o nome, Fátima, por exemplo. Aí, o Sérgio, passando pelo quadro, vê a mensagem da Fátima e pensa: "A Fátima não sabe regra de três. Eu sei. Vou ajudá-la." E isso acontece naturalmente, é parte do cotidiano da escola. Não é preciso pedir licença à professora e nem há hora certa para se fazer isso.
O segundo quadro é o contrário: quando um aluno se sente competente em um saber, ele o anuncia aos colegas e se coloca à disposição. A capacidade de ensinar um saber a alguém vale por uma avaliação. E é o aluno quem a faz. É ele que se sente competente. Assim vão eles praticando as virtudes de ensinar, de aprender e de se ajudarem uns aos outros.

O grande tribunal


Eu me encontrava num estado de acontecendo? Ninguém falando alto, nenhuma professora pedindo silêncio, todos trabalhando, a música clássica. Aquilo não podia ser toda a verdade. Deveria haver algo mais. Perguntei à menina: "Mas vocês não têm alunos agressivos, indisciplinados, que gritam e perturbam a ordem?" "Temos. Mas para isso temos o tribunal de alunos. Quando um menino ou uma menina se comporta de maneira a perturbar a ordem nos termos que nós mesmos estabelecemos, o tribunal entra em ação e providências disciplinares são tomadas."
"Que coisa maravilhosa", eu pensei. Uma escola onde os professores não são responsáveis pela disciplina. E nem o diretor é a instância punitiva última, para onde são enviados os desordeiros. É a comunidade das crianças que cuida disso. Professores e diretor podem, assim, se dedicar aos desafios prazerosos de aprender junto com os alunos.

O último julgamento


Voltei à Escola da Ponte em 2001. Perguntei sobre o tribunal. O professor José Pacheco contou-me que o tribunal não existia mais. Fora abolido pela assembléia. Percebeu-se que ele era uma instância de punição e não de recuperação. E passou a relatar-me o incidente que produzira a sua dissolução.
Um aluno violento fora levado ao tribunal para responder por uma agressão. A assembléia da escola nomeou, como de praxe, um advogado de acusação. O réu escolheu um colega para defendê-lo. A assembléia se reuniu para o julgamento.
"A acusação foi devastadora", disse-me o professor José Pacheco. "Reuniu as provas e estabeleceu de forma cabal a culpa do réu. Eu pensei: ele está perdido, não há saída. entrou em ação o advogado de defesa. Ele não negou o que fora apresentado pela acusação, nem apresentou fatos que minimizassem a culpa do réu, mas lembrou aos membros do tribunal que todos eles eram Cristãos, freqüentavam a missa e o catecismo. E que, na igreja, se ensinava que o amor nos leva a ajudar aqueles que estão em dificuldades. Concluiu: `Pois esse colega tem estado em dificuldades há muito tempo e todos sabíamos disso. E agora estamos prontos a puni-lo. antes que o tribunal dê a sentença, e em nome da nossa coerência, quero que respondamos o que fizemos para ajudá-lo.'"
Esse foi o fim do tribunal. No seu lugar estabeleceu-se uma comissão de ajuda. Hoje, na escola da ponte, quando algum aluno começa a apresentar problemas de comportamento, essa comissão se adianta e nomeia colegas para ajudá-lo, com a missão de estar sempre por perto do dito aluno. E, quando se percebe que ele vai fazer algo inadequado, os colegas entram em ação para tentar dissuadi-lo.

O direito à alegria


A menina continuou a me guiar. Chegamos a uma mesa onde estava trabalhando uma aluna com síndrome de Down. Vi garota e pensei sobre sua convivência mansa com os seus colegas. Senti que sua presença ali era algo normal e feliz na rede de relação de solidariedade e de aprendizado que constitui a escola. Aquela menina era parte dessa rede. Com algumas peculiaridades e limitações, é claro. Mas, como todos os outros, ela se dedicava a aprender.
Se me perguntarem se ela conseguia seguir o programa, eu responderia dizendo que não há um programa a ser seguido numa ordem certa e num mesmo ritmo. Cada criança é única, com seus próprios sonhos, ritmos e interesses. A escola não pode destruir essa criança para amoldá-la a uma "forma".
O objetivo da escola é criar um espaço em que cada criança possa pensar os seus sonhos e realizar aquilo que lhe é possível, no ritmo que lhe é possível. Pensei que, nas escolas da minha memória, é comum que a preocupação dominante dos professores seja dar o programa. É isso que a administração pede deles. Não é incomum que professores, em conversas, falem em que lugar da "corrida" dos programas eles se encontram. É compreensível. Como partes da máquina burocrática, eles perderam a liberdade e se esqueceram dos sonhos antigos.
A educação não tem como objetivo preparar os alunos para ingressar no mercado de trabalho. O objetivo é criar as condições possíveis para a experiência da alegria. Porque é para isso que vivemos. A escola deve ser um espaço em que isso acontece. Parte das potencialidades daquela menininha tem a ver com saber viver no mundo dos ditos "normais". E parte das potencialidades das crianças ditas "normais" tem a ver com saber conviver com crianças diferentes - e ajudá-las. Isso também é alegria. Esse aprendizado de solidariedade é mais importante do que qualquer conteúdo de programa.

Cada aluno é único


Pensei: o que são programas? Programas são uma organização lógica de saberes dispostos numa ordem linear e que devem ser aprendidos numa velocidade igual, como se todos estivessem numa linha de montagem de uma fábrica.
Sobre que pressupostos se constroem os programas? Bem, o primeiro costuma ser mais ou menos assim: "A aprendizagem se dá numa relação entre o saber, abstratamente definido, e a inteligência da criança. A mediação entre saberes e inteligência se dá pela didática. Se a aprendizagem não acontece, o problema se encontra ou na inteligência deficiente da criança ou numa didática inadequada."
Um segundo pressuposto prega que "todas as crianças são iguais". É só isso o que justifica que os mesmos saberes sejam dados a todas as crianças. mas isso é patentemente falso. os sonhos das crianças das praias de alagoas, das montanhas de minas gerais, da Amazônia, das favelas, dos condomínios ricos não são os mesmos. então, qual é o sentido instrumental dos saberes abstratos igualmente prescritos a todas as crianças pelos programas? Não admira que sejam logo esquecidos. Só realmente aprendemos aquilo que usamos.
"Todas as crianças têm o mesmo ritmo. Por isso as crianças têm de aprender no ritmo em que as aulas são dadas." Ah, o ritmo das aulas. Toca a campainha, é hora de pensar português. Toca a campainha, é hora de parar de pensar português e começar a pensar matemática. Toca a campainha, é hora de parar de pensar matemática e começar a pensar geografia. E assim por diante. O ritmo e a fragmentação das aulas estão em completo desacordo com tudo o que sabemos sobre o processo de pensamento. Não é possível dar ordens ao pensamento para que ele pare de pensar numa coisa numa certa hora e comece a pensar em outra.
Mas há ainda um quarto pressuposto: "A avaliação da aprendizagem se faz por meio de provas e testes e os seus resultados são expressos em números." Confesso ainda não ter compreendido a função pedagógica desse procedimento. Sobre isso há muito a ser escrito.

Grandes horizontes


Na Escola da Ponte não há programas. Isso não quer dizer que a aprendizagem aconteça ao sabor dos desejos das crianças. Imagine um homem do campo, que só conheça as comidas mais simples: polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne. Imagine que ele venha à cidade e seja levado por um amigo a um restaurante. "Que é que o senhor deseja?", lhe perguntaria o garçom. Ele certamente responderia falando de polenta, feijão, abobrinha, picadinho de carne, pois esse é o seu repertório de pratos. Aí, o amigo lhe diria: "Quero sugerir que você experimente uns pratos diferentes."
Assim acontece na relação entre professores e alunos. Os professores sabem mais. É por isso que são professores. E uma de suas tarefas é "seduzir" as crianças para coisas que elas ainda não experimentaram. Eles lhes apontam coisas que nunca viram e as introduzem num mundo desconhecido de arte, literatura, música, natureza, lugares, história, costumes, ciências, matemática. "A primeira tarefa da educação é ensinar a ver", dizia o filósofo Nietzsche. Não é obrigatório que elas gostem do que vêem. Mas é importante que seus horizontes se alarguem.

O direito de não ler


O dia na Escola da Ponte se inicia de uma forma inusitada. Cada criança se assenta onde quer e escreve numa folha de caderno o seu plano de trabalho para aquele dia. Esse plano de trabalho está ligado ao seu projeto de investigação. Ao final do dia, comparando o realizado com o planejado, ela poderá avaliar o quanto caminhou. Eu imagino que deveria ser mais ou menos assim que o trabalho acontecia nas oficinas artesanais e de arte do renascimento: os aprendizes trabalhavam num projeto artesanal, ou de escultura, pintura, e, vez por outra, o mestre aparecia para avaliar, corrigir, sugerir.
Andando na Escola da Ponte, encontro um cartaz cujo título era: Direitos e Deveres das crianças em relação aos livros. O primeiro direito me deu um susto tão grande que nem li os outros. Foi susto por ser inesperado. Mas foi um susto bom. Até ri. Dizia assim: "Toda criança tem o direito de não ler o livro de que não gosta." Esse direito sempre me pareceu óbvio. Mas eu nunca o havia visto assim escrito de forma clara, numa escola, para que os alunos o lessem. As escolas da minha memória jamais fariam isso. Porque é parte do seu dever burocrático fazer com que as crianças leiam os livros de que não gostam.
Há professores que ensinam literatura para desenvolver uma postura crítica nos seus alunos. Mas esse não é o objetivo da literatura. Lê-se pelo prazer de ler. Por isso, refugo quando pessoas falam sobre a importância de desenvolver o hábito de leitura. Isso é o mesmo que dizer que é preciso desenvolver nos maridos o hábito de beijar a mulher. Hábitos são comportamentos automatizados que nada têm a ver com prazer. Lê-se pela mesma razão que se dá um beijo amoroso: porque é deleitoso, porque dá prazer ao corpo e alegria à alma.

As duas caixas


 Já resumi minha teoria de educação dizendo que o corpo carrega duas caixas. Uma delas é a "caixa de ferramentas", onde se encontram todos os saberes instrumentais, que nos ajudam a fazer coisas. Esses saberes nos dão os "meios para viver". Mas há também uma "caixa de brinquedos". Brinquedos não são ferramentas. Não servem para nada. Brincamos porque o brincar nos dá prazer. É nessa caixa que se encontram a poesia, a literatura, a pintura, os jogos amorosos, a contemplação da natureza. Esses saberes, que para nada servem, nos dão "razões para viver".
A "caixa de ferramentas" guarda muitos livros: manuais, listas telefônicas, livros de ciências. Na "caixa de brinquedos" estão os livros de literatura e poesia que devem ser lidos pelo prazer que nos dão. Obrigar uma criança ou um adolescente a ler um livro de que não gosta só tem um resultado: desenvolver o ódio pela leitura. É o que acontece com os jovens que, preparando-se para o vestibular, são obrigados a ler os "resumos". A receita certa para destruir o prazer da leitura é colocar um teste ao seu final para avaliar o aprendido. Ou pedir que se faça um fichamento do livro lido.

Leis e direitos


Numa parede da escola se encontravam as "leis". Mais importante que as leis era o fato de que elas tinham sido sugeridas e aprovadas pela assembléia de alunos. Aquele documento representava a vontade coletiva de crianças, professores e funcionários. Era o seu "pacto social" de convivência. Lembro-me de alguns itens. "Todas as pessoas têm o direito de dizer o que pensam sem medo." "Ninguém pode ser interrompido quando está falando." "Não se deve arrastar as cadeiras fazendo barulho."
O item que mais me comoveu e que é revelador da alma daquelas crianças foi esse: "Temos o direito de ouvir música enquanto trabalhamos, para pensar em silêncio." Entendi, então, a razão da música clássica que se ouvia baixinho.

Acho bem e acho mau


Ao final da minha caminhada inaugural pela Escola da Ponte, a menina me indicou um computador. "Nesse computador se encontram dois arquivos", ela explicou. "Um se chama acho bem, o outro, acho mal." Qualquer pessoa pode usar o computador para comunicar aos outros o que acha bem e o que acha mal. Um ninho de passarinho num galho de árvore, um ato do presidente da república, o aniversário de um colega, um livro divertido - tudo isso pode estar no acho bem. No acho mal, eu encontrei: "Acho mal que o Fernando fique a dar estalos na cara da Marcela." pensei logo: "Esse é candidato ao tribunal..."
As crianças haviam aprendido que há palavras grosseiras, chulas, que não devem ser usadas. No seu lugar usam-se outras palavras sinônimas. É o caso do verbo "cagar", que não deve ser usado em situação alguma. Mas pode-se usar o sinônimo "defecar" que, sem ser elegante, pelo menos não ofende. Pois uma menina escreveu: "Acho mal que os meninos vão a defecar na privada e deixem a tampa toda cagada." Menina genial! Ela sabia que o dicionário estava errado. Cagar e defecar não são palavras sinônimas, muito embora o dicionário assim o declare. Se ela tivesse escrito "Acho mal que os meninos vão a defecar na privada e deixem a tampa toda defecada", sua indignação teria perdido toda a força literária. Porque aquilo que os meninos faziam na tampa da privada não era defecar; era "cagar" mesmo, uma coisa chula e grosseira.

O todo e as partes


A menina já me havia informado do princípio central da pedagogia da Escola da Ponte, ao me explicar como os miúdos aprendiam a ler: "Aqui não aprendemos nem letras e nem sílabas. Só aprendemos totalidades." As disciplinas isoladas são o resultado da tendência de análise e especialização que caracterizam o desenvolvimento das ciências ocidentais. A nona sinfonia, de Beethoven, não é o conjunto de suas notas. Ela não se inicia
com notas e acordes. A totalidade vem primeiro e é só em relação a ela que as partes têm sentido. Assim é o corpo: uma entidade musical. Nenhuma de suas partes tem sentido em si mesma. É a melodia central do corpo que faz as partes dançarem. Mas os nossos jovens, diante do vestibular - e é preciso não esquecer que os programas das escolas se orientam no sentido de preparar para o vestibular -, trazem consigo as partes desmembradas de um corpo morto: uma soma enorme de informações que não formam um todo significativo. Física, química, biologia, história, geografia, literatura, como se relacionam? Fazem-se então esforços inúteis de interdisciplinaridade. Inúteis porque o todo não se constrói juntando-se as partes.

Brincar é coisa séria


A Escola da Ponte me mostrou um novo mundo em que crianças e adultos convivem como amigos na fascinante experiência de descoberta do mundo. Aprender é muito divertido. Cada objeto a ser aprendido é um brinquedo. Pensar é brincar com as coisas. Brincar é coisa séria. Assim, brincar é a coisa séria que é divertida.
Quando falo que me apaixonei pela Escola da Ponte, estou dizendo que amo aquelas crianças. Gosto delas. e elas também gostam de mim. Voltar à Escola da Ponte já está se tornando rotina. Quando lá chego, sou afogado por centenas de "beijinhos". Comove-me a amizade daquelas crianças. Sinto que o maior prêmio para um professor é quando os alunos se tornam amigos dele. Um verdadeiro professor nunca sofre de solidão.
Uma entrevistadora brasileira perguntou a uma menina: "Quem é Rubem Alves?" a menina respondeu: "É um velhinho que conta estórias." As crianças podem me chamar de velhinho. Não me importo. Mas somente elas.

*Rubem Alves é escritor, autor de dezenas de livros, entre eles A Escola com que Sempre Sonhei sem Imaginar que Pudesse Existir (Papirus, 120 págs., r$ 22), em que conta sua experiência na Escola da Ponte. www.revistaeducacao.com.br/r_alves.php